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sábado, 2 de maio de 2015

Dia do Trabalho! Descanso e reflexão!

Mais um dia do trabalho, mais razões para refletirmos sobre o qual a razão de aceitarmos e comemorarmos esse dia. O brasileiro em geral costuma aproveitar os feriados para descansar da rotina que transforma os seus dias e se esquece de refletir sobre a razão das coisas. 

Notamos que em geral cada vez mais uma parte maior reclama dos feriados, que somos o país dos feriados e que nesses dias a economia não anda, que em tempos de crise esses feriados deviam acabar. Temos análises intermináveis de o quanto a produção econômica cai em anos com mais feriados e pelo contrário, o quanto a economia cresce com o turismo em cidades que se aproveitam disso.

Feriados são datas de comemoração ou de reflexão. Existem por uma razão específica, podendo ser obrigatório ou facultativo as pessoas serem dispensadas do trabalho. Eles não chegam de maneira surpreendente, portanto podem e devem ser planejados no calendário corporativo. 

Chegamos a mais um "dia do trabalho". Data em que podemos observar no mundo, uma série de manifestações e reflexões sobre todos os assuntos de interesses de classes. A data lembra o ano de 1886 quando os trabalhadores americanos decidiram iniciar uma greve por melhores condições de trabalho. No ano seguinte o movimento se espalhou pela Europa e em 1891 os franceses a consagraram como a luta por uma jornada diária de oito horas de trabalho.

Hoje vivemos no Brasil um tempo de mudança, onde o pensamento atual caminha para o que se convencionou chamar de "flexibilização das leis trabalhistas", com o intuito de enfraquecer os sindicatos e conseguir diminuir o ônus da contratação de um funcionário CLT, diminuindo seu custo, seja com impostos, seja com conquistas trabalhistas, seja com benefícios inerentes de uma categoria, seja com o próprio salário.

Porém essa não foi a pauta da discussão proposta pela classe política, que na ausência da representação popular (que estão nas praias aproveitando o feriado e confere o que aconteceu no Jornal Nacional) deu o tom das discussões do dia do trabalho no Brasil. A ausência do discurso da Presidente.

Falaram líderes sindicais, defendendo bandeiras como o fim do fator previdenciário, sorteando carros e colocando músicas para alegrar o povo, as manifestações não conseguem produzir nada que faça uma reflexão sobre o trabalho e o emprego, fundamentalmente qual o rumo que esses aspectos tão fundamentais na economia terão com essa flexibilização.

O assunto da mídia ontem, pra variar, era praia... fora PT... fora Dilma... Aecio fala de covardia... a partir de vídeos comemorados como um gol por torcidas organizadas em todo o país. O único assunto mais relevante citado foi o da proposta para correção do FGTS, que hoje é feito somente pela TR, que fosse idêntico ao da Poupança, ou seja, 0,5% + TR. Mas como o povo que está na praia não consegue ouvir, isso vira promessa de político e perde o valor já na segunda feira. E assim seguimos o barco!

Reflita sobre isso! Feriados são datas de reflexão... O dia 01 de maio serve também para você lembrar a morte do seu ídolo, ele era de muita gente também, o eterno Ayrton Senna... Pense na sua participação nesse movimento todo... um feriado não é um dia a mais de descanso! É um dia de reflexão! Tenha uma atitude positiva nesses feriados! Participe das decisões que podem te afetar como cidadão! 

Um ótimo feriado!

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 30 de março de 2013

Ética Profissional

Sempre acreditei que o esporte é a melhor maneira de aprendermos como funciona a vida. Seus exemplos nos revelam os paradoxos das relações corporativas e faz com que nos espelhamos na maneira de pensar de nossos ídolos. Por essa razão essas celebridades deve ser cobradas a todo instante pelas atitudes que tomam e inspiram sua legião de seguidores.

Para exemplificar a afirmação proponho uma análise sobre o ocorrido no dia 24 de março de 2013 e vencido por Sebastian Vettel. Tivemos polêmicas de todos os tipos ao final do Grande Prêmio, com brigas envolvendo pilotos de uma mesma equipe.

Sem entrar no mérito de quem tem ou não razão, procurarei somente me ater aos acontecimentos que devem ser levados em conta nas relações profissionais e na formação de um profissional.

Hoje, ao contrário do que acontecia nas épocas de Senna, Piquet e Emerson Fitipaldi, as corridas de automóveis são disputadas por equipes e não somente por pilotos. Óbvio que existe o componente técnico, mas cada vez mais ele está perdendo espaço para aspectos mais presentes no mundo corporativo. Espera-se de um piloto muito mais do que simplesmente talento. As equipes em geral são braços das grandes montadoras no mundo e tem interesses comerciais que devem ser analisados na formação das equipes como um todo e não somente na contratação dos pilotos.

Por essa razão, não é mais comum vermos brigas extremas entre pilotos de uma mesma equipe. Os assuntos são discutidos internamente e após definida a estratégia do campeonato e a tática para aquele determinado GP, os pilotos vão a pista demonstrar que são capazes. 

No GP da Malásia tivemos duas situações claras, ambas de um conteúdo político forte. Na Mercedes, que fez um investimento razoável para ter Lewis Hamilton no seu quadro de pilotos, o chefe de equipe Ross Brown não pensou duas vezes quando viu o principal investimento de sua equipe neste ano em uma situação complicada. Pediu ao seu outro piloto (Nico Roseberg) que preservasse os lugares na pista, mesmo sabendo o prejuízo técnico que isso causaria, afinal de contras, o piloto inglês tinha claros problemas de consumo de combustível e não poderia ser competitivo e evitar uma ultrapassagem. Mesmo contrariado, Nico Roseberg respeitou a decisão do time e se manteve atrás de seu companheiro.

No caso de Vettel, a mesma postura não foi observada. Claramente mais rápido do que seu companheiro, o piloto alemão desrespeitou a mesma solicitação e até um "acordo" entre os pilotos de que aquele que sai do último pit na frente permanece até o final sem alterar as posições.

As situações vividas na Fórmula 1 são as mesmas que encontramos em nosso dia a dia. As empresas elaboram estratégias para participação dentro do mercado onde atuam, fazem investimentos que não se limitam somente em ter o melhor piloto, mas também o melhor time. Nesse sentido, os mecânicos, os engenheiros e até os pilotos da mesma equipe são parte integrante em uma vitória e na conquista de um campeonato. 

Porém, o que vimos foram duas atitudes distintas. No caso de Nico Roseberg a atitude foi de respeito ao time, reconhecendo que mesmo sendo uma atitude reprovável no aspecto esportivo, o respeito na relação entre o time estava preservado. Se não houve bom senso, prevaleceu a ética profissional. Já no caso do alemão Sebastian Vettel não... sua atitude foi esportivamente perfeita, pois se há um carro melhor na pista, este deve ganhar uma corrida. Porém essa vitória não deve vir a qualquer preço, pois nem sempre o melhor vence. Ao ultrapassar o companheiro de equipe, Vettel ignorou não só uma solicitação dos seus empregadores, mas também de um acordo feito na própria equipe, pelo que se sabe.

Vettel pensou em si próprio, na sua carreira e nos seus fãs. Fez valer o fato de ser tricampeão mundial de pilotos, sabe que muito pouco ou quase nada acontecerá para ele após o episódio. 

Depois, o próprio Vettel deve ter refletido sobre a sua atitude que, mesmo parecendo justa no aspecto desportivo, demonstrou fraqueza de caráter e de completa falta de ética profissional, pediu desculpas aos funcionários da Red Bull e a seu companheiro de equipe.

Ética profissional pode ser definida como o conjunto de normas éticas que formam a consciência do profissional e representam a sua conduta. Ser ético é agir dentro dos padrões convencionais, é não prejudicar o próximo. Se algo foi combinado antes, na formação da estratégia do time para o campeonato e na tática para aquela corrida, ter ética profissional é seguir os princípios determinados pelo seu grupo de trabalho.

Você é responsável pela sua trajetória profissional. Deve ter em mente que trabalha em equipe e que depende de mais pessoas para desempenhar suas funções e poder mostrar a todos os seus talentos individuais. É certo que os ambientes empresariais são políticos, onde decisões dentro de corporações nem sempre levam em conta o talento profissional de cada um.

Porém o que conta são atitudes sustentáveis, como já dissemos anteriormente. Quando tiver oportunidade de se deparar com situações complicadas, saiba que você é o grande mentor da sua carreira, mas não é nada sem uma equipe. Ela da a sustentação para as corporações. Prefira sempre comportamentos éticos, responsáveis, mesmo que para os olhos de muitos a atitude não seja a atitude vencedora.

Se transportarmos essa situação para o time Red Bull, que certamente é o melhor carro da F1 há anos e tem consciência disso, a atitude de Vettel pode ter dado a ele a vitória e a liderança do campeonato... e lhe custado um lugar na F1 em 2014... Ja imaginaram Fernando Alonso na Red Bull?? Aposto que Cristian Horner (Chefe de equipe da Red Bull e patrão de Vettel) já pensou... e muito!!!

Não quero aqui julgar o fato esportivo, uma vez que esse acordo de preservar equipamentos e pilotos ao final das provas é extremamente discutível. Apenas peço a reflexão sobre o GP da Malásia. Para que possamos até entender o porquê do pedido de desculpas do Alemão da RBR e o motivo de Ross Brown estar elogiando tanto seus pilotos.

Procure saber quais as atitudes que seu empregador espera de vocês, sobretudo com relação a redes sociais. Quais são os princípios e os valores do seu empregador e seja ético no seu comportamento profissional.

Marcelo Alves Bellotti