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sábado, 30 de março de 2013

Ética Profissional

Sempre acreditei que o esporte é a melhor maneira de aprendermos como funciona a vida. Seus exemplos nos revelam os paradoxos das relações corporativas e faz com que nos espelhamos na maneira de pensar de nossos ídolos. Por essa razão essas celebridades deve ser cobradas a todo instante pelas atitudes que tomam e inspiram sua legião de seguidores.

Para exemplificar a afirmação proponho uma análise sobre o ocorrido no dia 24 de março de 2013 e vencido por Sebastian Vettel. Tivemos polêmicas de todos os tipos ao final do Grande Prêmio, com brigas envolvendo pilotos de uma mesma equipe.

Sem entrar no mérito de quem tem ou não razão, procurarei somente me ater aos acontecimentos que devem ser levados em conta nas relações profissionais e na formação de um profissional.

Hoje, ao contrário do que acontecia nas épocas de Senna, Piquet e Emerson Fitipaldi, as corridas de automóveis são disputadas por equipes e não somente por pilotos. Óbvio que existe o componente técnico, mas cada vez mais ele está perdendo espaço para aspectos mais presentes no mundo corporativo. Espera-se de um piloto muito mais do que simplesmente talento. As equipes em geral são braços das grandes montadoras no mundo e tem interesses comerciais que devem ser analisados na formação das equipes como um todo e não somente na contratação dos pilotos.

Por essa razão, não é mais comum vermos brigas extremas entre pilotos de uma mesma equipe. Os assuntos são discutidos internamente e após definida a estratégia do campeonato e a tática para aquele determinado GP, os pilotos vão a pista demonstrar que são capazes. 

No GP da Malásia tivemos duas situações claras, ambas de um conteúdo político forte. Na Mercedes, que fez um investimento razoável para ter Lewis Hamilton no seu quadro de pilotos, o chefe de equipe Ross Brown não pensou duas vezes quando viu o principal investimento de sua equipe neste ano em uma situação complicada. Pediu ao seu outro piloto (Nico Roseberg) que preservasse os lugares na pista, mesmo sabendo o prejuízo técnico que isso causaria, afinal de contras, o piloto inglês tinha claros problemas de consumo de combustível e não poderia ser competitivo e evitar uma ultrapassagem. Mesmo contrariado, Nico Roseberg respeitou a decisão do time e se manteve atrás de seu companheiro.

No caso de Vettel, a mesma postura não foi observada. Claramente mais rápido do que seu companheiro, o piloto alemão desrespeitou a mesma solicitação e até um "acordo" entre os pilotos de que aquele que sai do último pit na frente permanece até o final sem alterar as posições.

As situações vividas na Fórmula 1 são as mesmas que encontramos em nosso dia a dia. As empresas elaboram estratégias para participação dentro do mercado onde atuam, fazem investimentos que não se limitam somente em ter o melhor piloto, mas também o melhor time. Nesse sentido, os mecânicos, os engenheiros e até os pilotos da mesma equipe são parte integrante em uma vitória e na conquista de um campeonato. 

Porém, o que vimos foram duas atitudes distintas. No caso de Nico Roseberg a atitude foi de respeito ao time, reconhecendo que mesmo sendo uma atitude reprovável no aspecto esportivo, o respeito na relação entre o time estava preservado. Se não houve bom senso, prevaleceu a ética profissional. Já no caso do alemão Sebastian Vettel não... sua atitude foi esportivamente perfeita, pois se há um carro melhor na pista, este deve ganhar uma corrida. Porém essa vitória não deve vir a qualquer preço, pois nem sempre o melhor vence. Ao ultrapassar o companheiro de equipe, Vettel ignorou não só uma solicitação dos seus empregadores, mas também de um acordo feito na própria equipe, pelo que se sabe.

Vettel pensou em si próprio, na sua carreira e nos seus fãs. Fez valer o fato de ser tricampeão mundial de pilotos, sabe que muito pouco ou quase nada acontecerá para ele após o episódio. 

Depois, o próprio Vettel deve ter refletido sobre a sua atitude que, mesmo parecendo justa no aspecto desportivo, demonstrou fraqueza de caráter e de completa falta de ética profissional, pediu desculpas aos funcionários da Red Bull e a seu companheiro de equipe.

Ética profissional pode ser definida como o conjunto de normas éticas que formam a consciência do profissional e representam a sua conduta. Ser ético é agir dentro dos padrões convencionais, é não prejudicar o próximo. Se algo foi combinado antes, na formação da estratégia do time para o campeonato e na tática para aquela corrida, ter ética profissional é seguir os princípios determinados pelo seu grupo de trabalho.

Você é responsável pela sua trajetória profissional. Deve ter em mente que trabalha em equipe e que depende de mais pessoas para desempenhar suas funções e poder mostrar a todos os seus talentos individuais. É certo que os ambientes empresariais são políticos, onde decisões dentro de corporações nem sempre levam em conta o talento profissional de cada um.

Porém o que conta são atitudes sustentáveis, como já dissemos anteriormente. Quando tiver oportunidade de se deparar com situações complicadas, saiba que você é o grande mentor da sua carreira, mas não é nada sem uma equipe. Ela da a sustentação para as corporações. Prefira sempre comportamentos éticos, responsáveis, mesmo que para os olhos de muitos a atitude não seja a atitude vencedora.

Se transportarmos essa situação para o time Red Bull, que certamente é o melhor carro da F1 há anos e tem consciência disso, a atitude de Vettel pode ter dado a ele a vitória e a liderança do campeonato... e lhe custado um lugar na F1 em 2014... Ja imaginaram Fernando Alonso na Red Bull?? Aposto que Cristian Horner (Chefe de equipe da Red Bull e patrão de Vettel) já pensou... e muito!!!

Não quero aqui julgar o fato esportivo, uma vez que esse acordo de preservar equipamentos e pilotos ao final das provas é extremamente discutível. Apenas peço a reflexão sobre o GP da Malásia. Para que possamos até entender o porquê do pedido de desculpas do Alemão da RBR e o motivo de Ross Brown estar elogiando tanto seus pilotos.

Procure saber quais as atitudes que seu empregador espera de vocês, sobretudo com relação a redes sociais. Quais são os princípios e os valores do seu empregador e seja ético no seu comportamento profissional.

Marcelo Alves Bellotti

sábado, 22 de setembro de 2012

Atitudes e Exemplos...Ronaldo Luís Nazario de Lima

Algum tempo atrás disse a uma amiga que não era capaz de julgar ninguém. Realmente, o tempo que passei como gestor de pessoas e a minha formação profissional me impede de emitir juízo, supor, conjecturar sobre atitudes ou pessoas. Aprendi por observação e pela experiência profissional que o que se espera de um gestor são avaliações e não julgamentos.

Cabe a um líder avaliar posturas, comportamentos, desempenho, etc. das suas equipes, de acordo com as regras, padrões e cultura da empresa. Tudo isso dentro de uma postura ética.

Chamamos de ética então a parte da filosofia que estuda o comportamento humano exclusivamente pela razão. Aliás, essa é a diferença de ética de moral, a análise do comportamento humano fundamentada pela razão. No mundo corporativo a ética exigida ao profissional fala sobre princípios como honestidade no trabalho, lealdade ao segredo profissional, respeito a dignidade humana, ou seja, o comportamento esperado de todos os que compõem a empresa.

Então, sem emitir nenhum juízo de valor, procuro influenciar pessoas a ter atitudes que costumo classificar como "vencedoras". Se olharmos ao redor nos deparamos com exemplos de vida que nos motivam a vencer as barreiras que a vida nos colocam.

Peço então que sem nenhum julgamento de certo ou errado, que avaliem os exemplos de auto-motivação que nos deu o jogador de futebol Ronaldo Luís Nazário de Lima. Ronaldo Fenômeno completa hoje 36 anos e, independente do que fez na vida fora de campo ou de que times que jogou, quantos interesses defendeu ou ofendeu, sua carreira profissional deve servir como exemplo.


Com um talento incrível, Ronaldo conseguiu a proeza de ser convocado para uma Copa do mundo aos 16 anos, em 1994. Em 1996, jogando pelo Barcelona, foi eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA. O feito se repetiu em 1997, agora jogando pela Inter de Milão. No ano seguinte era o protagonista de uma Copa do Mundo perdida em uma final contra a França. Com uma convulsão no dia do jogo final, Ronaldo experimenta seu primeiro grande fracasso, em 1998.

Após a Copa, já jogando pela Internazionale, onde ganhou o apelido de "Fenômeno", Ronaldo teve o seu desempenho muito prejudicado por seguidas contusões e compromissos profissionais com patrocinadores. Até que em 12 de abril de 2000, no jogo final da Copa da Itália contra a Lazio, Ronaldo teve uma ruptura completa do tendão patelar do joelho. Sua contusão o deixou afastado dos gramados por 15 meses. Novamente o destino coloca uma grande pedra em seu caminho.

Ronaldo se recupera e, mesmo sendo considerado pela maioria da crônica esportiva brasileira como ex-jogador de futebol e tendo contra sí a opinião do próprio comandante na Inter, o Argentino Hector Cúper, que afirmava categoricamente que ele não tinha condições de distputar a Copa do Mundo de 2002, Ronaldo recebeu a confiança de Luis Felipe scolari e novamente foi o protagonista de uma Copa do Mundo. Só que desta vez o Brasil foi campeão mundial e Ronaldo foi artilheiro da Copa.

Após a Copa, mais uma vez foi eleito o melhor do Mundo, transferência milhonária para o Real Madrid. Sempre questionado pela postura fora do campo, sua carreira entrou em um período descendente. Um novo grande fracasso na Copa de 2006, seguido de uma conturbada transferência novamente para Milão, agora para o Milan. E a vida lhe colocou um novo desafio. Em 13 de fevereiro de 2008 em uma partida contra o Livorno, Ronaldo novamente rompeu o tendão patelar do joelho.

Agora com 32 anos a recuperação parecia impossível, razão pela qual o time de Milão não renovou o seu contrato. Ronaldo retorna ao Brasil e passa a treinar no Flamengo.

Novamente a crônica esportiva em geral o considera como ex-jogador. Ronaldo segue um período de recuperação no Flamengo e surpreendentemente assina um contrato com o Corinthians.

Retorna ao futebol e mesmo sem a mesma forma que o levou a ganhar três títlos de melhor do mundo, ser o maior artilheiro de todas as Copas e ajudar o Brasil a levantar dois títulos mundiais, Ronaldo ainda consegue ajudar o time brasileiro a ganhar um título regional e um nacional.

Isso tudo faz de Ronaldo um exemplo de persistência, de auto-motivação, de acreditar em seu potencial, mesmo quando ninguém mais parece acreditar.

Pense nisso, sem julgar as suas decisões, que em alguns momentos lhes parecerão certas e em outros não.

Ronaldo em toda a sua trajetória nunca desistiu de sí próprio.

Essa é a mensagem... não desista!!! Acredite!!! 

E seja feliz!!!

Marcelo Alves Bellotti